Uma dama despretensiosa

Regina Rosemburgo em pose para foto. Imagem: Reprodução.

Por Marllon Alves

            Regina Rosemburgo foi a socialite mais badalada dos anos 1960 na cidade do Rio de Janeiro. Tornou-se amiga de pessoas cujos familiares eram muito influentes por conta da atuação política ou grande fortuna. Entretanto, Regina nunca se deixou fascinar por este universo, mostrando-se sempre uma pessoa desapegada de sua fortuna e bens materiais.

            Regina Rosemburgo, também conhecida como Regina Léclery, foi uma atriz carioca oriunda do Leme, bairro nobre da zona sul da cidade do Rio de Janeiro. Nascida em 1939, foi recepcionista de banco, miss Lagoinha Country Club (sobre este período, mais tarde Regina se referiu ao mesmo como “aquelas frescuras todas”) até despontar para o cinema com os filmes Garota de Ipanema (1967) e Quem é Beta? (1967). Regina cultivou muitas amizades com artistas nacionais e estrangeiros consagrados em sua época cujo tempo imortalizaria suas respectivas obras. Regina foi amiga de Glauber Rocha, Cacá Diegues, Salvador Dalí, Roger Vadim, Jane Fonda, Marisa Berenson e Gunther Sachs, por exemplo. Com relação a Glauber Rocha, Regina afirmou em entrevista que Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964) foi escrito em sua casa, onde muitas cenas que aparecem no clássico filme brasileiro foram pensadas por Regina e Glauber. Regina Rosemburgo integrava o elenco da obra em questão, mas casou-se com seu primeiro marido e o seu papel no longo ficou com Yoná Magalhães.

            Casou-se pela primeira vez com o milionário Wallinho Simonsen, filho de Mário Simonsen, o homem mais influente do Brasil na época. Mário era dono da Panair no Brasil e da TV Excelsior. O casamento com Wallinho abriu portas para Regina frequentar a alta sociedade brasileira e estrangeira. A residência da monarquia inglesa, a casa de férias do casal Jacqueline e John Kennedy (foi com Wallinho e Regina que John Kennedy passou seu último final de semana. Poucos dias depois, enquanto desfilava junto com a esposa em um carro aberto, o então presidente dos EUA foi assassinado. Era 1963 e até hoje o crime nunca foi esclarecido).

Regina Rosemburgo ao lado de Vinícius de Moraes em 1973. Imagem: Revista Fatos & Fotos.

            Apesar do glamour e (aparente) felicidade, o casamento de Regina com Wallinho chegou ao fim em 1966. Neste período, Regina já conhecia Gérard Léclery, dono da maior fábrica de calçados da Franca, com quem se casaria em 1968. Regina tinha casas na França, na Suíça, na Barra da Tijuca, um apartamento em Paris e foi uma das primeiras pessoas a comprar uma casa do mestre Zanine, que ficava na Joatinga. Após contrair matrimônio com Léclery, Regina passa a viver a maior parte de sua vida em Paris. Lá a atriz vivia em uma luxuosa mansão situada na sofisticada Avenue Foch. Quadros de Gaugin, Renoir e Picasso decoravam a mansão. Além disso, Regina e o marido contavam com um motorista uniformizado, um cozinheiro, um garçom, um maître e um valet de chambre.

            Os filmes em que participou, os casamentos badalados e o ingresso no mundo da alta sociedade fizeram de Regina Rosemburgo muito popular, aparecendo frequentemente em capas de revistas e jornais. O jornalista Ibrahim Sued a incluiu em sua lista de dez mulheres mais elegantes do Brasil. Entretanto, Regina não dava importância a nada destas coisas. Isso porque a atriz nunca foi de fato preocupada com a moda. As amigas Carmen Mayring Veiga e Teresa de Sousa Campos eram quem a levavam, praticamente a força, para fazer compras nas lojas de Ipanema. Apesar de viver uma vida de luxo, Regina era também pouco apegada a bens materiais. Uma característica marcante de Regina era o fato de que, se alguém mostrasse interesse em possuir algum objeto que a pertencesse, a atriz enviava o mesmo como presente para a pessoa.

Capa da revista O Cruzeiro sobre a morte de Regina Rosemburgo (ou Léclery). Imagem: Reprodução.

            Regina Rosemburgo faleceu vítima de um acidente aéreo em Paris em julho de 1973. O avião em que a mesma estava pegou fogo por conta de um possível cigarro aceso dentro da aeronave. Caiu em um campo de plantação de cebolas numa tentativa dos pilotos de salvarem todos, mas foi em vão. Foram 122, com destaque, além de Regina Rosemburgo, para Filinto Müller (político e militar que ganhou fama internacional por prender o casal Olga Benário e Luís Carlos Prestes, deportando a mesma para a Alemanha nazista quando esta se encontrava em avançada gestação. Recai sobre si a fama de torturador e de realizar prisões arbitrárias. Na época do acidente, ele era presidente do Senado e do Congresso Nacional), o cantor Agostinho dos Santos, o iatista tricampeão mundial Jörg Bruder e os jornalistas Júlio Delamare e Antônio Carlos Scavone. Apenas 10 tripulantes e um passageiro sobreviveram. Foi uma tragédia que chocou o Brasil, tendo muita repercussão na época.

            Regina tinha vindo ao Brasil somente para tratar de assuntos referentes a sua casa. A atriz pretendia fixar definitivamente sua residência na Europa. A mesma deixou três filhas, a saber: Roberta (tinha nove anos de idade na ocasião da fatalidade e foi fruto do casamento com Wallinho Simonsen), Giorgiana (tinha três anos quando a mãe faleceu e foi fruto da união de Regima com Lecléry) e Márcia, filha adotiva e que também tinha nove anos de idade quando a mãe faleceu.

Conclusão

            Regina Rosemburgo foi uma pessoa que fez parte da alta sociedade nacional e também internacional. Foi uma mulher bonita, talentosa, famosa, rica e que se casou com os homens mais cobiçados do período. Ela esteve em lugares que até hoje muitas pessoas sonham em estar e foi o que muita gente sonha em ser até hoje também. Entretanto, Regina sempre foi desapegada a tudo isso, classificando-os sem importância. A brevidade de sua vida mostra que Regina não estava equivocada.

Referências:

https://bafafa.com.br/turismo/historias-do-rio/regina-rosemburgo-a-socialite-brasileira-mais-badalada-dos-anos-60-teve-fim-tragico visualizado no dia 10/08/2023.

http://www.famososquepartiram.com/2018/08/regina-leclery.html#:~:text=Regina%20Rosemburgo%20nasceu%20no%20Leme,a%20freq%C3%BCentar%20o%20Jet%2DSet. visualizado no dia 10/08/2023.

Como citar este texto:

ALVES, Marllon. Uma dama despretensiosa. In: Gênero e História. Disponível em: https://generoehistoriacom.wordpress.com/2023/08/11/uma-dama-despretensiosa/ publicado no dia 11/08/2023.

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