
Roberta Close em pose para foto. Imagem: Reprodução.
Por Marllon Alves
A década de 1980 no Brasil viu a ditadura civil-militar de 1964 chegar ao fim. Com isso, assuntos outrora proibidos passaram a ser discutidos com frequência. Além disso, comportamentos outrora reprimidos voltaram com todo o vigor. É neste contexto que surge a figura de Roberta Close.
Além de ser um golpe político, o golpe civil-militar de 1964 foi também um golpe moral. Desta forma, assuntos que atentavam contra a “moral e os bons costumes” eram censurados. Este fato ajuda a entender o motivo de algumas novelas da TV Globo que abordavam a homossexualidade e o divórcio (a saber: O Rebu (1974), por exemplo, e Despedida de Casado (1977)) terem sofrido censura; e ajuda a entender também o motivo de Leila Diniz ser perseguida pelo regime em vigor. A ditadura reprimiu também a população LGBT+, que não era bem recebida nem mesmo entre aqueles que faziam oposição ao golpe de 1964.
A ditadura começou a dar os primeiros sinais de desgaste na década de 1970 e se intensificaria na década seguinte, resultando em seu fim. Com isso, manifestações contrárias ao regime e a discussão de temas censurados começaram a ocorrer, o que não significa que a repressão tenha findado. Neste contexto e impulsionados pelos movimentos LGBT+ dos EUA, começam a surgir movimentos LGBT+ no Brasil também. Além disso, mulheres trans como Rogéria e Cláudia Celeste começavam a ganhar destaque na televisão, o principal veículo de informação das massas populares até então.

Roberta Close em pose para foto. Imagem: Reprodução.
Roberta Close ganhou destaque no período descrito nos parágrafos anteriores e, conforme já dito neste texto, ela não foi a primeira mulher trans a ganhar visibilidade e espaço na mídia em uma época em que tal termo sequer existia. Entretanto, Roberta Close tinha o seu diferencial. Os estereótipos vigentes acreditavam que a mulher trans tinha traços e comportamentos que provariam que esta não era uma “mulher de verdade”. Seja a voz um tanto grave, as medidas da face, o tamanho do corpo… esperava-se das mulheres trans algo que denunciasse seu “sexo biológico”. Entretanto, este não era o caso de Roberta Close. O corpo e o comportamento de Roberta eram aquilo que se esperavam de uma “mulher cis”. Além disso, a modelo era muito bonita, fazendo com que fosse presença constante nos principais programas de televisão da época.

Roberta Close em ensaio para a Playboy, em 1990. O ensaio foi um sucesso. Imagem: Reprodução.
Conclusão
Roberta Close fez sucesso em um momento onde o movimento LGBT+, em especial o de mulheres trans, ganhava bastante visibilidade. Era um contexto em que grupos até então silenciados gritavam por respeito e visibilidade. Conscientemente ou não, Roberta Close deu sua contribuição ao movimento e na atualidade tem o seu pioneirismo reconhecido.
Referências:
https://insideplayboybr.wixsite.com/ipbr/post/roberta-close-junho-1984 visualizado no dia 13/09/2023.
https://insideplayboybr.wixsite.com/ipbr/post/roberta-close-mar%C3%A7o-1990 visualizado no dia 13/09/2023.
Como citar este texto:
ALVES, Marllon. O mito Roberta Close. In: Gênero e História. Disponível em: https://generoehistoriacom.wordpress.com/2023/09/15/o-mito-roberta-close/ publicado no dia 15/09/2023.

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