
Lívia Maria durante campanha presidencial de 1989. Imagem: Orlando Brito.
Por Marllon Alves
As eleições presidenciais de 1989 foram marcadas por muitas expectativas, uma vez que eram as primeiras eleições diretas para presidente após 21 anos de ditadura. Além disso, estas eleições foram as primeiras a ocorrer após a promulgação da Constituição de 1988. Foi neste contexto de múltiplas expectativas que Lívia Maria candidatou-se a Presidência da República, sendo a primeira mulher no Brasil a fazer tal coisa.
O ano de 1989 começou no país debaixo de muitas expectativas. A Constituição brasileira atual havia sido promulgada no ano anterior. Conhecida também como Constituição Cidadã, é considerada a constituição brasileira mais abrangente com relação aos direitos dos brasileiros (tal Carta Magna classifica o racismo como crime, define o voto como algo universal e legitima a proteção aos povos nativos, por exemplo). Além disso, este era o ano em que estavam previstas novas eleições presidenciais e isso mobilizou o país. Entre os anos de 1964 -1985 o Brasil esteve mergulhado em uma ditadura civil-militar. Neste período, podia-se votar apenas para prefeito e vereador. Eleições para presidente e governador estavam suspensas. Nos anos 1980, quando a ditadura já se encaminhava para o fim, manifestantes foram para as ruas em várias cidades do país pedindo eleições diretas para presidente. Este movimento ficou conhecido como Diretas Já. Em 1985, a ditadura chega ao fim e Tancredo Neves é eleito presidente por meio de um colégio eleitoral. Porém, ele adoece e posteriormente morre, sendo substituído por seu vice José Sarney. Os clamores pedindo eleições diretas só seriam atendidos a partir de 1989.
Foi neste contexto de novidades e expectativas que Lívia Maria candidatou-se a Presidência da República. Sendo a primeira mulher a fazer isso no Brasil, Lívia era filiada ao Partido Nacionalista (PN). Lívia Maria tinha apenas 30 segundos em sua propaganda política na televisão. Além do pouco tempo na TV, é perceptível que a campanha eleitoral de Lívia Maria contava com poucos recursos financeiros. Este fato ajuda a entender o motivo de sua propaganda televisiva contar com dados bancários a fim de que o eleitor pudesse ajudá-la financeiramente em sua campanha. A então candidata usava o pouco tempo que lhe era reservado na TV para direcionar sua campanha às “mulheres do Brasil”, uma vez que eram “a maioria” do eleitorado brasileiro. Além disso, ela pedia as mulheres para que “entenda a preferência feminina”.
Lívia Maria perdeu o pleito presidencial de 1989, sendo derrotada ainda no primeiro turno. A candidata recebeu 179.925 votos, ficando atrás de políticos até hoje reconhecidos por sua atuação e/ou que fizeram história no passado, como por exemplo Fernando Collor (o vencedor destas eleições), Lula (atual Presidente da República), Leonel Brizola, Mario Covas, Ronaldo Caiado, Paulo Maluf e Ulysses Guimarães.
Conclusão
Embora tenha perdido o pleito presidencial de 1989, Lívia Maria é reconhecida como a primeira mulher a disputar as eleições para a Presidência da República no Brasil. O seu pioneirismo pavimentou o caminho para que outras mulheres fizessem o mesmo, alcançando o êxito em alguns casos.
Referências:
https://osdivergentes.com.br/orlando-brito/livia-abreu-a-primeira-candidata-a-presidente/ visualizado no dia 16/11/2023.
Como citar este texto:
ALVES, Marllon. A mulher que disputou o pleito presidencial de 1989. In: Gênero e História. Disponível em: https://generoehistoriacom.wordpress.com/2023/11/17/a-mulher-que-disputou-o-pleito-presidencial-de-1989/ publicado no dia 17/11/2023.

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